Os novos talentos do cinema brasileiro
23 out 2009
A terceira edição do Brazil Film Fest destaca produções dos conhecidos Lírio Ferreira, Guel Arraes e Luiz Carlos Barreto, mas também apresenta gente nova, como Matheus Souza, diretor de “Apenas o Fim”, que estará em Toronto pela primeira vez.

Matheus entre os atores Gregório Duvivier e Erika Mader
O filme “Apenas o Fim”, que será exibido neste sábado, às 9 da noite, no Royal Theatre, fala sobre uma jovem que resolve abandonar o namorado e fugir para um lugar desconhecido. Antes de partir, Júlia, interpretada por Érika Mader, decide encontrar Antônio (Gregório Duvivier), mas eles têm apenas uma hora para fazer um balanço bem humorado de suas vidas. O longa é o resultado de um projeto de alunos do curso de cinema da PUC do Rio de Janeiro, com roteiro e direção de Matheus Souza, cujo primeiro trabalho foi justamente o filme em questão.
Por ser um projeto de faculdade, o orçamento foi baixo e, com certeza, cheio de desafios. Em entrevista ao OiToronto, Matheus, de 20 anos de idade e nascido em Brasília, disse que existem várias coisas no filme que ele vê como defeitos, mas não gostaria de mudar nada. “Acho que os defeitos, as falhas que aconteceram por inexperiência ou qualquer outro motivo, contribuem para o sentido e conteúdo do filme nesse caso específico. Como é um filme sobre jovens feito por jovens, se não tivesse defeitos, seria falso.” – conta o diretor, que diz gostar muito da relação que os dois protagonistas construíram no filme, “Os dois estão ótimos em seus papéis individualmente e, principalmente, como casal.” – completa.
Festivais
Desde o lançamento, “Apenas o Fim” tem participado de vários festivais e chamado a atenção por onde passa. No Festival do Rio 2008, ganhou o prêmio de Melhor Filme do Júri Popular e menção honrosa do Júri Oficial. Na 32ª Mostra Internacional de São Paulo, o longa também foi escolhido o melhor pelo público. “O filme, por onde tem passado, tem sido recebido muito bem.” – comenta Matheus. – “Pessoas da minha idade vão conversar comigo no final da sessão, garotas bonitas européias me perguntam o que farei naquela noite. Ou seja, incrível mesmo. O problema é que elas são altas demais.” – brinca. Na Europa, o filme foi selecionado para os festivais na Holanda, França e Polônia.
Deste lado do Atlântico, o longa participou do Festival Internacional de Miami e Premiere Brazil, no MoMA, em Nova Iorque. “A experiência nos festivais também é sempre brilhante, as pessoas que você conhece, com quem conversa, os filmes novos que você vê.”- conta ele.
Primeira vez em Toronto
Matheus virá ao Canadá para participar do BRAFF, sendo esta a sua a primeira vez no país. “Gostaria muito de encontrar a Avril Lavigne de bobeira pela rua e consolá-la pelo recente divórcio. Quem sabe não me dou bem nessa fase em que ela está tão vulnerável?” – diz. Em relação à exibição de “Apenas o Fim” no Brazil Film Fest, ele espera que as pessoas gostem tanto de seu filme ao ponto de quererem pagar-lhe uma pizza após a sessão. “Uma bala de menta já tá de bom tamanho” – informa.
Apenas o começo
Matheus Souza nasceu na capital do Brasil e se mudou para o Rio de Janeiro aos sete anos. Foi em maratonas de filmes com seu pai, nos finais de semana, que ele descobriu sua paixão pela sétima arte. Aos 19 anos, reuniu amigos do curso de cinema da PUC-Rio e do grupo de teatro O Tablado para dar corpo à equipe e ao elenco de “Apenas o Fim”.
Sobre novos trabalhos, Matheus diz que existem vários planos para novos filmes e as ideias estão se acumulando. “O meu problema é exatamente esse, eu sempre começo a escrever algo novo e abandono o antigo que estava quase pronto. Preciso parar agora e decidir de vez qual o próximo filme.”

