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Church & Wellesley: O bairro da comunidade GLBT

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- Post atualizado em: 9 abr 2014

Embora muitos moradores gays tenham migrado para outros bairros, a área da Church & Wellesley ainda atrai a moçada que lota seus bares, boates e restaurantes. Também conhecido como “The Gay Village” (a vila gay), essa é uma das áreas mais animadas e divertidas de Toronto.

foto: purplepick

Há um fenômeno interessante ocorrendo na Church & Wellesley. A área que sempre reuniu um grande número de jovens residentes GLBT está aos poucos perdendo moradores e estabelecimentos gays para outros bairros de Toronto, como Cabbagetown e Queen West. Há indícios de que o grande responsável por isso seja o alto preço do aluguel cobrado pelos apartamentos dessa parte da cidade.

É claro que existe um ponto positivo nessa mudança. Toronto tem se tornado um dos lugares menos homofóbicos do mundo, e não é preciso morar em uma parte específica da cidade para ter a sua orientação sexual respeitada. No entanto, a Church and Wellesley ainda se mantém forte como a área de maior concentração de bares e boates gays.

Três décadas de respeito à diversidade sexual

A bandeira do arco-íris, símbolo do movimento GLBT, está pendurada em todos os estabelecimentos do bairro. São supermercados, cafés, lojas restaurantes, bares e boates que possuem como principal clientela o público gay, e tem sido assim já há algumas décadas.

Depois da “Operation Soap” (a Operação Sabão, comandada pela Polícia de Toronto contra quatro saunas gays em 1981, que resultou na detenção de mais de trezentos homens, sendo considerada uma das maiores prisões em massa da história do Canadá), a Church and Wellesley passou a atrair grande número de homossexuais. George Hislop, dono de uma das saunas, se tornou um dos maiores ativistas gays do Canadá. Quando se candidatou a vereador municipal, montou um comitê de campanha eleitoral no bairro. Foi também nessa época que o 519 Church Street Community Centre se tornou um importante centro comunitário voltado também para a comunidade gay.

Além dos diversos bares e boates, o bairro traz alguns pontos muito interessantes, como a estátua de Alexander Wood, erguida em 2005 para homenagear o magistrado, vítima de um escândalo no século XIX ao examinar pessoalmente o órgão genital de homens acusados de estupro.

É também no bairro que encontra-se o Cawthra Park, onde está situado o Aids Memorial, que sedia placas de bronze com o nome de indivíduos que morreram em decorrência da doença. Durante a Pride Week, um grande número de pessoas se reúnem para uma vigília no local, lembrando as vítimas da Aids.

Alguns dos mais animados festivais de cidade acontecem na “Village”

Todos os anos, no final de junho, acontece a Pride Week, um evento de dez dias que tem como objetivo celebrar o orgulho gay. Além da parada oficial que ocorre no domingo, há diversas festas em bares e boates, fazendo com que esta seja uma das maiores organizações do tipo no mundo inteiro, atraindo milhares de pessoas.

Diversos palcos são instalados no bairro, onde há apresentações de músicos, djs e drag queens. A Dyke March, a parada das lésbicas, ocorre sempre na sexta-feira ou sábado antes da parada oficial. Há também a Trans Pride March, formada por transexuais, que acontece desde 2009.

Esse ano, a Pride Week acontece de 22 de junho a 1o de julho, com o tema “Celebrate & Demonstrate” (celebrar e demonstrar em inglês). É um evento imperdível, e com atividades para toda a família, inclusive para as crianças. Para mais informações, visite o site do evento na internet.

Em agosto é a vez do Church Street Fetish Fair, onde fetichistas se reúnem no bairro em um evento no mínimo curioso. Casais sadomasoquistas, crossdressers e até bichos de pelúcia fazem parte dessa festa, onde definitivamente há gosto para tudo.

No dia 31 de outubro, centenas de pessoas se reúnem no bairro para comemorar o Halloween. Fantasias criativas de todos os tipos se misturam em um dos melhores “dia das bruxas” da cidade. É ideal para o público adulto, que mesmo que não esteja fantasiado, deve comparecer. Bares e boates do bairro geralmente ficam abertos até mais tarde nesse dia (em Toronto, elas costumam fechar às 2 am).

foto: Qinn

A Church and Wellesley é um bairro que merece ser visitado por todos, mesmo pelo público hetero. Restaurantes e lojas excelentes estão situados na área. O OiToronto traz uma seleção do que há de melhor nessa parte da cidade.

Bares e boates

  • Black Eagle (457 Church St.)- Esse é o “reduto” dos ursos- como se autodenominam os gays peludos e de barba, alguns grandes e pesados, com uma aparência bruta e bastante masculina. É também um local ideal para quem tem um fetiche por roupas de couro e látex. O local é meio escuro, e filmes pornôs (gays, claro) são exibidos nos televisores.
  • Crews & Tango (508 Church Street)- É um dos melhores lugares da cidade para quem gosta de assistir a apresentações de drag queens. Não se intimide pela grande fila formada nos finais de semana (anda mais rápido do que você pensa). Essa boate é frequentada tanto pelo público masculino, quanto feminino. Possui diversos ambientes. No primeiro andar, o destaque é uma seleção mais hip hop. Já nos fundos, sucessos das rádios pop embalam a moçada.
  • Fly Nightclub (8 Gloucester St)- Há quem diga que essa é a melhor boate gay da cidade. De fato, a música é boa e está quase sempre lotada. Enquanto a maioria dos nightclubs fecham às 2am, a Fly continua aberta até o sol raiar. Grandes djs de diversos países do mundo já passaram por aqui.
  • Zipperz (72 Carlton Street)- Aos domingos à noite, essa talvez seja a melhor opção para quem procura uma balada gay. Músicas dos anos 80 são o grande destaque na pista de dança. No espaço situado logo na entrada fica um bar e um piano, onde geralmente são tocadas músicas clássicas e pedidos da plateia.
  • Byzantium (499 Church St.)- O que mais impressiona nesse bar é a grande seleção de martinis, mas a grande surpresa foi a carne servida nesse local. Uma delícia! Nos finais de semana, o bar se transforma em uma boate, com excelentes djs e muita gente bonita.
  • Woody’s (465 Church St)- Esse talvez seja o bar gay mais conhecido da cidade, e serviu de cenário para a versão americana do seriado de TV Queer as Folk. É famoso pelos concursos semanais de melhor peitoral e bumbum, além de algumas performances de drag queens. Nos televisores do local, clips sensuais de homens despidos são exibidos praticamente o tempo inteiro.

Onde comer

  • Bulldog Coffee (89 Granby Street)- Esse café foi selecionado pelo OiToronto como um dos melhores da cidade. Já ganhou diversos prêmios por suas bebidas quentes com um “toque de arte”. Destaque para o chocolate quente.
  • Guu Izakaya (398 Church St.)- Cada cliente que chega nesse restaurante, é saudado por todos os funcionários com “bem–vindo” em japonês. O local é extremamente popular, principalmente entre o público jovem. Existem mesas individuais, mas é bem possível que você divida a sua com outras pessoas (mesas longas foram colocadas no meio do restaurante com esse propósito). O cardápio está mais voltado aos pratos cozidos do que o tradicional sushi, mas tudo é muito gostoso. Uma boa ideia é vir com um grupo de amigos e dividir as porções. Mas atenção: se procura um lugar calmo e silencioso, melhor escolher um outro restaurante.
  • Spirits Bar and Grill (642 Church Street)- Esse é um lugar perfeito para tomar alguns drinks com os amigos e experimentar os sliders (pequenos hamburgers) preparados na cozinha do restaurante. Todas as quartas-feiras há apresentação de comediantes. Aos sábados, tem karaokê e nos domingos Open Mic, onde qualquer pessoa pode se juntar aos músicos para cantar ou tocar.

  • O’Gradys (518 Church Stree)- Esse pub situado bem no centro da Gay Village oferece um cardápio com boa comida e preços razoáveis. Destaque para os hambugers e a bruschetta. No primeiro andar geralmente são realizadas festas privadas, como aniversários e despedidas de solteiro. O pátio desse local é um dos melhores do bairro.
  • Crepe It Up (507 Church Street)- Yes, torontonianos adoram crepe. Existem diversas creperias espalhadas pela cidade, mas poucas são tão boas quanto essa. O lugar passou por uma reforma recentemente e ficou mais espaçoso. Porém, nenhuma mudança no sabor de seus crepes (graças!!!).
  • Hair of the Dog (425 Church Street)- Esse restaurante prepara pratos deliciosos. O grande destaque são os nachos, sem dúvida um dos melhores da cidade. Também vale a pena experimentar as massas. Os garçons são bastante simpáticos e atenciosos. Escolha sentar no pátio nos meses mais quentes.

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Por: Marcio Rollemberg

Marcio Rollemberg é pernambucano e formado em jornalismo. Foi editor-chefe de um telejornal universitário, produziu documentários e trabalhou como repórter de TV no Brasil. Em 2005 mudou-se para Toronto e atualmente é um dos colaboradores de uma revista e de um canal de TV. Em 2011 juntou-se a equipe do OiToronto, onde escreve matérias sobre Turismo e Variedades. [ email ]

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